A hipérbole é o amor que se
sente, não que seja exagerado o amor, até porque nunca será suficiente, porque
esta coisa de amor não é fácil, mas também não é difícil, pelo menos
disseram-me, uma vez, que no amor não há fáceis nem difíceis, mas isso
deixou-me a pensar e está-me a sufocar. A hipérbole é isto que eu sinto, porém
eu não sei bem se de amor se trata, porque borboletas nunca vi nem senti.
Aliás, sempre me intriguei com isso das borboletas no estômago, porque isso
implicaria que eu tivesse engolido uma larva – as borboletas nascem das larvas –
e as larvas são nojentas. Mas, se eu sentisse as borboletas era mais fácil. Se
o nosso amor fosse traduzido pelas borboletas era mais fácil. Eu vomitava o
nosso amor. Por muito difícil que fosse, para mim, provocar o vómito. E, agora,
percebo que o amor não é mesmo nem fácil nem difícil. O amor é um filho da mãe –
ia dizer da puta, mas tive medo de ferir certas susceptibilidades – que me
odeia profundamente e não me suporta. Mas, agora que falei em profundamente,
será que o amor tem um lado profundo? Ou é apenas essa coisa das borboletas?
Deve ter, porque eu acho que te amo e não vi nem senti as borboletas, eu acho
que as sentiria – o mais parecido que já encontrei foram os insectos a que o
povo chama de “bruxas” e a que eu chamo também de bruxas porque eu sou o povo.
Eu queria é fazer do amor uma ciência exacta. Se bem que se ele fosse uma
equação, aposto que seria das impossíveis. E, foda-se já o amor que não estou
para o aturar. Só porque vive no coração já sente superioridade em relação a
mim. Só porque mora no órgão principal que faz tudo o resto viver. Pois.
Engraçado sítio para ele viver. O amor. Um desequilibrado. Aliás, um “desiquilibrador”,
e habita o meu músculo cardíaco, dizem eles claro. Já eu continuo a dizer que
nunca o vi. No outro dia dissequei o coração de um porco e não encontrei amor.
Tinha válvulas, cavidades, veias, artérias, mas amor não vi. Talvez os porcos
não amem. Mas há por aí tantos porcos a dizerem que amam certas vacas e outros
espécimes estranhos. Devia ser um porco especial. Ou isso ou o amor não é visível. Mas então, como o descubro? Porra, ainda por cima esqueci-me dos óculos
de radiação ultravioleta. Tenho os de infravermelhos, espero que resulte.
adoreeeei
ResponderEliminartal como já te tinha dito no grupo, não tens de agradecer fui bastante sincera :)
ResponderEliminarFico feliz por seguires, obrigada, espero que gostes :)
Li isto com um sorriso na cara do início ao fim. Adorei. Adoro a maneira como escreves.
ResponderEliminarentão sendo assim de nada :)
ResponderEliminarFico bastante feliz por isso :D
estás como eu, eu também só tenho saudades de algumas coisas do Inverno
ResponderEliminarai que perfeição de texto!
ResponderEliminarBrutal, simplesmente!
ResponderEliminarescreves bem mas mesmo bem.
ResponderEliminarobrigada eu!
ResponderEliminarDe nada Lú :)
ResponderEliminarOh meu Deus, adoro! Este texto está fantástico!!!
ResponderEliminaroh, de nada :D
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