O dia passava vagarosamente nos dois relógios.
Os minutos pareciam arrastar-se moribundo durante o dia e fazer com
que o passar das horas se tornasse um enorme desespero. Por outro lado, esse
desespero e esse tempo quase infinito serviam de oportunidade para ambos, em
lados quase opostos da cidade, se deliciarem a imaginar nas peripécias para
mais um encontro. É certo que seria difícil pensarem igual, ou pelo menos a
mesma coisa da exacta maneira que o outro pensava, pois um preferia lençóis
brancos de seda confortáveis e outro o azulejo frio do chão.
Hoje os desejos eram diferentes, bem como as intenções.
Os encontros eram pontuais e era já hábito. Já se encontravam desta
maneira – despidos – há dois anos. E, nada mais queriam. Era isto; só e apenas
isto.
Hoje ele traria o vinho tinto e o blazer
cinzento que ela tanto gostava e ela, por sua vez, iria deliciar-lhe as vistas
com a lingerie preta renda que lhe caía, palavras dele, optimamente na pele
morena onde ele se afogava em prazeres.
A noite finalmente já tinha caído.
Ambos prontos, dirigiam-se ao local onde sempre se encontraram, desde
a primeira vez até hoje.
Como sempre, ela entrava primeiro, ele a seguir deixando-se levar pelo
perfume.
Na pequena mesa do quarto moravam dois copos destinados a perderem em
lábios com desejos latentes.
Era tudo ritual; hábito.
O abrir do vinho, o beber. O não falar do dia ou da vida. Os sussurros
ao ouvido que geravam gargalhadas. Os beijos frenéticos de anseio. O caos da
roupa no chão.
Era tudo óptimo para eles.
Conheceram-se no escuro daquele quarto e, mesmo assim, perdiam-se, um
no outro.
Era tudo óptimo mas não passava de sexo.
Afinal, diziam conhecer o corpo um do outro, mas nunca perguntaram por
cicatrizes.
Um texto de Ricardo Cunha
ler-te é fascinante, Ricardo. continua assim :)
ResponderEliminarObrigado!
EliminarIrei fazer de tudo para continuar assim.
Quando vou poder saber quem é o Anónimo?
o anónimo fica-se pelo anonimato :)
EliminarEspero que um dia o anonimato acabe, contactar-me não é difícil.
EliminarGostava de saber quem é o Anónimo
não é bom ter uma espécie de "admirador secreto"? o mistério à minha volta é que te causa interesse em saber quem sou, se desvendasse o mistério perderia a piada toda.
EliminarPerderia?
EliminarNão acho que fosse perder, não há como tentar
de qualquer das formas, penso que o importante aqui é realçar o teu talento e não revelar a minha identidade. talvez um dia o faça, quem sabe, se achar necessário
EliminarFicarei à espera então, desse dia.
EliminarAdoro, simplesmente adoro! :)
ResponderEliminarJá estou a seguir o teu cantinho princesa *
Obrigado caty!
EliminarÉ bom saber!
excelente, mais uma vez!
ResponderEliminarObrigado, mais uma vez, Cláu!
EliminarPara a semana há mais e espero cá ver-te novamente!
Muito obrigada :)
ResponderEliminarAdorei o texto!
Muito obrigado Inês!
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