Hoje o dia só tem vinte e três
horas. As vinte e quatro nunca são suficientes e hoje tiraram-nos mais uma.
Menos uma hora de vida para quem morrer amanhã. E não, não estou a ser mórbida.
Estou a ser o que não tenho sido. Destemida. Sim, a morte assusta-me. É
assustadora de tão real que é. Tenho medo da morte lenta. Da morte dolorosa –
se houver alguma que não o seja. Tenho medo de definhar até ao último suspiro.
Mas, medo para quê? Medo de quê? A morte é tão real mas é tão abstracta. Vou
senti-la uma vez e vai-me chegar, não vou repetir mesmo que queira. Queria-lhe
dizer olá e afastar-me. Queria ganhar coragem e reaproximar-me timidamente como "quem não quer a coisa". Queria-lhe fazer perguntas. Queria perguntar à morte
coisas sobre a vida – sou uma amante da ironia. Queria-lhe perguntar se gosta
de matar. Ou se mata só porque a mandam. Ou se não mata, se nos tira a vida apenas para se sentir mais viva – a morte pode querer sentir-se viva, sabemos lá.
Sim; eu ando a fazer de tudo para não morrer, um dia destes quando eu morrer,
eu não vou morrer. Ando a construir o meu legado para que tal não aconteça.
Tenho dezoito anos, mas sei lá se não me cai um meteorito em cima enquanto
escrevo esta espécie de texto – se bem que isto está-me a soar a testamento,
está-me a saber a juízo final. Quero inventar alguma coisa que preste. Quero
tornar-me imortal. Quero sair desta cúpula que me aprisiona – sim, deixo a
cúpula para o Stephen King – e viver. Viver com B bem grande, já que sou uma
mulher do norte. E tudo isto porque me tiraram uma hora. Mas, pelo menos,
vejamos o lado positivo, não me caiu um meteorito em cima – ainda não.
Gostei do texto, vais ver que ainda nos vão tirar muitas horas, mas acabas por ter isso recuperado quando a hora atrasa...
ResponderEliminarMesmo assim, tens toda a razão :)
Há, sem dúvida, textos que só tu poderia escrever. Este é daqueles que me apetece ler ao mundo e dizer que é teu, porque o é. É teu de uma maneira tão tua. <3
ResponderEliminarEssa é a parte em que tens razão :p
ResponderEliminarés um génio, lúcifer.
ResponderEliminarGostei muito do que li, a morte é algo que desperta um pouco de curiosidade a todos nós mas ninguém a quer por perto!
ResponderEliminarE quando se torna uma luta constante.. Dói mais.
ResponderEliminarÉ revoltante não vencermos a morte, é inevitável. Mas mesmo depois de morrermos seremos eternos no coração e na memória de quem nos ama. Bom texto :)
ResponderEliminar