Era sexta-feira, tinha chegado o dia da viagem que tu tanto esperavas. A ilha do Corvo aguardava-nos. Sei bem que conhecias a minha aversão à ilha, mas também sei que me querias mostrar que o nome não diz tudo. E não diz, tens razão - ou tinhas. Mas o corvo é a ave mais odiosa que existe, para mim; aqueles seres necrófagos, que aparecem sempre para anunciar que algo de mau aí vem. Mas eu fui contigo. Acompanhei-te na tua viagem de sonho - vá-se lá compreender os teus gostos - e estava tudo a correr bem. Dizias constantemente «Vês? Nada de mau aconteceu» - «ainda», pensava eu. Horas antes do voo que nos ia levar de volta a casa, fomos caminhar porque te querias despedir daquele sítio. Estávamos perto dum penhasco e dizias-me que a viagem tinha sido um sucesso. Foi aí que te empurrei, foi aí que te vi cair, foi aí que te vi morrer. Só para agora te poder dizer: meu querido, parece que afinal eu sempre tinha razão...
Estou sem palavras :o Apesar de ter uma ideia "negra" este texto cativou-me! Sempre maravilhosa Lúcia :)
ResponderEliminarSe não formos nós mesmos quem será? :)
ResponderEliminarR: Não sei aonde vais buscar tanta inspiração hihih
ResponderEliminarObrigada pela força <3
A primeira coisa que pensei foi: "ai credo!" xD
ResponderEliminarEstá muito bom, adorei!