28/07/2014

xxviii. treze

Contaram-me que foste abordado por dois sujeitos - ou predicados. Queriam o teu dinheiro ou a tua vida - mas a tua vida era minha, e eles nunca a iriam ter, julgava eu. Se não fosses estupidamente orgulhoso, não tinha recebido a chamada que me tirou tudo. Tinhas preferido dar a tua vida. Mas eu preferia-te mais pobre. Preferia-te mais pobre, do que morto. Sei que se hoje aqui estivesses estavas-me a dizer que tudo aquilo aconteceu porque estava destinado. Para ti, toda a tua história estava inscrita numa rocha qualquer e justificavas assim todas as tuas ações. Amava-te por isso. Pela tua falta de racionalidade, eu que sempre a tive em excesso. Passaram-se treze dias, meu amor. E eu continuo aqui. À espera que chegues e me digas que tudo foi um sonho. Agora sou eu que não quero ser racional.

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