27/08/2014

xxvii. madrugada

Era já de madrugada. Atravessava o Rossio descalça - malditos dos saltos que não valem nada partiram-se. Toda a gente naquela situação sentiria nem que fosse uma ponta de medo assim que visse um desconhecido a aproximar-se com ar de quem ia sacar uma arma do casaco. Mas ela não. Hoje não. Chorava desilusões, pensou ainda por um momento que poderia ser um ladrão - ou até um assassino de almas perdidas -, mas o que interessava isso quando se tem um coração partido? Ele continuou a aproximar-se. Até que a alcançou. Puxou-a para junto dele num gesto brusco. E as desconfianças dela confirmaram-se. Ele era um ladrão. De beijos. Um ladrão de beijos.

3 comentários:

  1. Fiquei mesmo derretida com este texto!

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  2. Obrigada! Nunca me canso dos teus elogios (le eu narcisista) :D

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  3. Ultimamente parece-me que tem sido a minha única companhia, Lú...

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