Nunca me disse escritora, creio. Nunca ambicionei ser escritora, também creio. Pelo menos em voz alta. Dentro de mim talvez já tenha assumido essa aspiração perante as minhas entranhas. Nas longas conversas que tenho comigo mesma, disse-me que sonhava com o cliché da cabana no campo que usaria para me retirar e para me inspirar. Para escrever romances mirabolantes e publicá-los. Aqui estou eu, numa nova conversa comigo mesma - faço-o sempre que escrevo - e perdi o medo de assumir que um dia já admiti querer viver da escrita. Hoje digo-me personagem de livro e escritora da minha própria história. Não sou personagem de romance. Ou melhor, não sou só personagem de romance. Sou personagem duma miscelânea de livros que vieram culminar nesta história que eu diariamente escrevo.
a escrita faz-se escrevendo.
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