Abraçavam-se
freneticamente.
Ele
queria fugir de toda aquela situação estranhamente desconfortável. Ela só
queria que durasse, talvez mais uns segundos, talvez a eternidade; não os
distinguia pois a noção de tempo perdia-se quando mergulhava naquele mar tão
presente, mas, ao mesmo tempo, tão desconhecido.
Era o pesadelo de todas as noites. Ela voltava a
deitar-se com ele. Voltavam a repetir-se abraços, desejos caóticos de união e,
as não tão estranhas, insónias.
Era pesadelo, pois quis o destino que assim fosse –
mesmo não acreditando nele, desculpava-se, utilizando-o.
Não movera mais montanhas ou agitara mares para a
salvar ou tê-la de volta.
Partiu.
Ela partiu numa viagem sem volta, que começara no
caminho que ele construiu ao desistir.
A vontade mútua de se aconchegarem por breves
segundos de nada valia; de nada vale. A vontade transformou-se em angústia que,
por sua vez, deu lugar a pesadelos.
Mas ele gostava.
Era assombrado todas as noites pelo erro que
cometera; era assombrado por ela e pelos abraços que o deixavam desconfortável,
mesmo querendo-os.
Hoje a noite não seria diferente.
Ela morreu, mas ele não sabe.
O rito era diferente hoje depois de um aperto
inesperado ter surgido no peito despido .
Aconchegou-se solenemente nos lençóis, centrando o
corpo na cama, estendo os braços ao longo do corpo murmurava:
-Assombra-me mais uma vez por favor; só mais uma vez.
"Ela partiu numa viagem sem volta, que começara no caminho que ele construiu ao desistir." Ás vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas, desistir é apenas um caminho possível, o único que o Homem às vezes conhece.
ResponderEliminarGostei muito.
Sim, é verdade.
EliminarMuitas vezes desistir é progredir e não o contrário!
Obrigado!
Lindo, adorei!
ResponderEliminarobrigado, Inês!
EliminarAcho que nunca vais escrever algo que eu não goste, Ricardo, estás de parabéns, grande rubrica!
ResponderEliminarObrigado, Anónimo!
EliminarAinda bem que assim é!
Pergunto-me se só acompanhas esta rubrica ou se também "espias" o meu blogue já que nunca te vi por lá, ou pelo menos, nunca deste sinal disso.
bem, não preciso de comentar para te ler, não é? por isso, talvez até acompanhe o teu blogue, ou talvez não.
EliminarSim, é verdade.
EliminarJá vi que iremos continuar com este jogo do quem é quem :)
Gostei :D
ResponderEliminarR: De nada :)
Muito obrigado Effy :)
EliminarE que a assombração lhe dê as emoções que necessita! Que excelente texto Ricardo. Parabéns :)
ResponderEliminarÉ verdade Cláudia!
EliminarQue o assombrem da maneira que ele quer!
Muito obrigado :)
Oh Ricardo, assim não dá. Prendes-me (MUITO) a cada vez que te leio. Assim não dá!
ResponderEliminarOra, obrigado Emily!
ResponderEliminarEspero que em Fevereiro continue a fazê-lo, pois caso contrário é sinal que estou a falhar no que faço.