11/01/2014

Em terra de amores e matadores

Os bramidos das espadas faziam-se ouvir por entre os tiros que voavam. A terra estava no seu fim. As lutas eram como o sol, havia uma – mais ou menos escaldante - todos os dias. E, todos os dias, o chão poeirento ficava manchado de sangue e habitado, mesmo que por breves segundos, por cadáveres frios e derrotados.
Eram correrias, gritos de socorro vindos de uma à outra ponta da rua e pessoas: pessoas que lutavam, pessoas que desesperavam, pessoas que assistiam e pessoas, apenas.
Eram homens desesperados, em lágrimas secas escondidas, pela morte de alguém e mulheres a arder, em chamas intensas, na fogueira das bruxas. Havia moços mortos e abutres fartos.
Havia de tudo para os poucos que existiam.
Tudo era permitido na terra longínqua, mesmo aos escassos bichos que passassem.
A terra até podia estar a colapsar mas, no meio de tanta luta ainda existiam resquícios de amores e abundância de matadores.

Histórias, como esta, corriam de boca em boca apregoando o recanto do inferno onde havia amor. Era mote de convite.
Quase todos eram bem-vindos. Quase todos porque, em terra de amores e matadores, não há lugar para príncipes e princesas;
apenas homens e mulheres, comuns, de carne e osso.

Um texto de Ricardo Cunha

16 comentários:

  1. Sempre a surpreenderes com a tua escrita, Ricardo. Muito bom!

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  2. Credo, até me arrepiei ! :o que escrita tão detalhada
    Resp: Muito obrigada, querida :)

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  3. «em terra de amores e matadores, não há lugar para príncipes e princesas; apenas homens e mulheres, comuns, de carne e osso.» , não vivemos nós, então, em plena terra de amores e matadores?

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    1. Não irei responder a isso.

      Cabe a cada um decidi-lo quando acabar de ler o que escrevi.


      Obrigado pelo comentário Anónimo!

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  4. mas no meu caso é mau..
    esta escrita é muito poderosa !

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  5. Não poderia estar mais de acordo :)

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  6. Acho que te devias chamar simplesmente "talento". Há alguma coisa em ti, Ricardo, que nos agarra totalmente. Obrigada por te partilhares com todos nós!

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    1. Muito obrigado Emily!
      Obrigado por esse enorme elogio.
      Espero continuar assim, a agarrar quem me lê e irei, certamente, continuar a partilhar o que faço.

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    1. Obrigado Cláu!

      Espero ver-te por estes lados mais vezes.

      Sábado há novo texto, por isso espero-vos por cá! A todos!

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