Os bramidos das espadas faziam-se ouvir por entre os tiros que voavam.
A terra estava no seu fim. As lutas eram como o sol, havia uma – mais ou menos
escaldante - todos os dias. E, todos os dias, o chão poeirento ficava manchado
de sangue e habitado, mesmo que por breves segundos, por cadáveres frios e
derrotados.
Eram correrias, gritos de socorro vindos de uma à outra ponta da rua e
pessoas: pessoas que lutavam, pessoas que desesperavam, pessoas que assistiam e
pessoas, apenas.
Eram homens desesperados, em lágrimas secas escondidas, pela morte de
alguém e mulheres a arder, em chamas intensas, na fogueira das bruxas. Havia
moços mortos e abutres fartos.
Havia de tudo para os poucos que existiam.
Tudo era permitido na terra longínqua, mesmo aos escassos bichos que
passassem.
A terra até podia estar a colapsar mas, no meio de tanta luta ainda
existiam resquícios de amores e abundância de matadores.
Histórias, como esta, corriam de boca em boca apregoando o recanto do inferno onde havia amor. Era mote de convite.
Quase todos eram bem-vindos. Quase todos porque, em terra de amores e
matadores, não há lugar para príncipes e princesas;
apenas homens e mulheres, comuns, de carne e osso.
Um texto de Ricardo Cunha
Sempre a surpreenderes com a tua escrita, Ricardo. Muito bom!
ResponderEliminarObrigado Anónimo!
EliminarEspero que assim continue a fazê-lo!
Credo, até me arrepiei ! :o que escrita tão detalhada
ResponderEliminarResp: Muito obrigada, querida :)
Obrigado Cáa!
EliminarEspero ver-te aqui para no próximo sábado!
Já passou :)
ResponderEliminarObrigada :)
ResponderEliminar«em terra de amores e matadores, não há lugar para príncipes e princesas; apenas homens e mulheres, comuns, de carne e osso.» , não vivemos nós, então, em plena terra de amores e matadores?
ResponderEliminarNão irei responder a isso.
EliminarCabe a cada um decidi-lo quando acabar de ler o que escrevi.
Obrigado pelo comentário Anónimo!
mas no meu caso é mau..
ResponderEliminaresta escrita é muito poderosa !
Muito obrigado pelo elogio Gabi.
EliminarNão poderia estar mais de acordo :)
ResponderEliminarAcho que te devias chamar simplesmente "talento". Há alguma coisa em ti, Ricardo, que nos agarra totalmente. Obrigada por te partilhares com todos nós!
ResponderEliminarMuito obrigado Emily!
EliminarObrigado por esse enorme elogio.
Espero continuar assim, a agarrar quem me lê e irei, certamente, continuar a partilhar o que faço.
mas que texto mais lindo!
ResponderEliminarObrigado Cláu!
EliminarEspero ver-te por estes lados mais vezes.
Sábado há novo texto, por isso espero-vos por cá! A todos!
tornei-me numa pessoa pior ! :/
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