08/04/2014

VIII - cidade

18 de Abril de 1978

Querida Susana,
Ele chega da cidade, pelas dez e tal, isto segundo a Maria da padaria - nunca fiando naquela linguaruda. Mas se for verdade, vai-me fazer feliz. Já não o vejo faz amanhã três meses e a saudade da adrenalina começa a apertar. Somos os dois casados, é certo; mas o pecado do adultério desperta em mim o meu lado mais carnal. Pergunto-me se ele me traz flores ou se, finalmente, já aprendeu que um beijo me chega para perceber as saudades todas que ele sentiu...
Quanto a ti, espero que os ares da cidade te estejam a fazer bem. Mas volta rápido, fazes-me falta, só tu me entendes.

Beijinhos,
Maria do Carmo

6 comentários:

  1. Uau, tão diferente do habitual! Gostei muito. Talvez um dia te levem flores

    ResponderEliminar
  2. Uaaaaaaau! Definitivamente não estava à espera de uma coisa assim!

    ResponderEliminar
  3. Juro que adoro a maneira como escreves e que a descrição do teu blog me mata!!

    ResponderEliminar
  4. deveras que temos querida (:
    omg, este teu excerto está maravilhoso :o

    ResponderEliminar
  5. As cidades são lugares onde a história ganha vida.

    ResponderEliminar