08/03/2015

viii. sangue-frio

Não te ter é equivalente a arrancarem-me os dentes a sangue frio. Não sou sem ti. Pura e simplesmente não te ter é igual a não me ter. Ainda sabes isso, não sabes? Mesmo depois de tudo. Uma ação não me define. Uma só ação não diz tudo de mim. Conta partes. Pequenas partes. Há partes que queres apagar mas pura e simplesmente não consegues. Ser-me-ás sempre tudo. Seres o que és é seres-me tudo. Um tudo relativo, mas um tudo. Eras um tudo na minha vida. Não te quero a ser nada. Não queiras ser nada, por favor. Não te peço desculpa porque não vale a pena. Desculpar-me era abdicar da culpa e essa eu tenho-a toda. Mas desculpa-me. Desculpa-me por ter a culpa toda e mesmo assim te querer comigo. 

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