21/07/2014

xxi. soneto

Até agora eu não me conhecia, 
julgava que era Eu e eu não era 
Aquela que em meus versos descrevera 
Tão clara como a fonte e como o dia. 

Mas que eu não era Eu não o sabia 
mesmo que o soubesse, o não dissera... 
Olhos fitos em rútila quimera 
Andava atrás de mim... e não me via! 

Andava a procurar-me - pobre louca!- 
E achei o meu olhar no teu olhar, 
E a minha boca sobre a tua boca! 

E esta ânsia de viver, que nada acalma, 
E a chama da tua alma a esbrasear 
As apagadas cinzas da minha alma!

«Eu» de Florbela Espanca

5 comentários:

  1. Obrigada. Eu sei... e, curiosamente, sei lidar bem com isto...

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  2. diferente demais, por vezes... mas tens razão!

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  3. Fogo, quero um livro escrito por ti :)

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  4. R: Omg sorry agora é que vi que assinaste Florbela Espanca :| e mesmo que nem estivesse escrito não iria saber que não seria teu porque não vou com poemas nem nada disso xD
    Mas mesmo assim, tu escreves bem, já te disse isso imensas vezes :p
    Infelizmente há mesmo :s

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