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01/03/2015

«A melhor literatura é a que salva vidas mas só a que mata ganha prémios,
já pensaste nisso?»

Prometo Falhar, Pedro Chagas Freitas

20/01/2015

«She loved mysteries so much, that she became one.»

John Green, Looking for Alaska

19/01/2015

«How do you get out of the labyrinth of suffering?»

«It's not life or death, the labyrinth. Suffering. Doing wrong and having wrong things happen to you. That's the problem. Bolivar was talking about the pain, not about the living or dying. How do you get out of the labyrinth of suffering?»

John Green, Looking for Alaska

16/01/2015

Explicando Crezia

Já assinei alguns textos com este nome no fim: Crezia. Mas, afinal, quem é a Crezia? Finalmente decidi-me a explicá-la. A Crezia era originalmente de um outro blog, blog esse que eu comecei e depois abandonei, porque senti que não fazia sentido separar a Crezia de mim, já que entre mim e ela apenas difere o nome e a coragem que ela tem em expressar o meu lado mais negro - que veio mostrar não ser assim tão negro. O porquê do nome é muito simples, veio do livro que eu estava a ler na altura, Lucrécia, personagem do livro A Família de Mario Puzo. Crezia era o nome carinhoso que o seu irmão, César, lhe chamava. Irmão e simultaneamente amante, ou algo do género. Daí eu escrever a Chez - era o nome que ela lhe chamava. Tendo eliminado, claro, a ideia conturbada de ele ser irmão dela. Chez é o fruto proibido da minha Crezia. Não sei atribuir um corpo a Chez. Pode ser várias coisas ou várias pessoas. O resto só se entende lendo a Crezia.

08/01/2015

«És a melhor maneira de viver. Podia dizer-te que te quero por tudo o que és. Mas estaria a mentir. Quero-te por tudo o que sou contigo. Quero-te pelo que sou. Porque me sinto, em ti, a pessoa que quero ser. És a minha melhor maneira de viver. Quero-te por egoísmo. É isso. Quero-te por egoísmo. Espero que me queiras pelo mesmo motivo.»
Pedro Chagas Freitas,
este homem assusta-me de uma maneira surreal, com tantas verdades que escreve.

29/12/2014

xix. verso

«Prefiro a prosa ao verso, como modo de arte, por duas razões, das quais a primeira, que é minha, é que não tenho escolha, pois sou incapaz de escrever em verso. A segunda, porém, é de todos, e não é - creio bem - uma sombra ou disfarce da primeira. Vale pois a pena que eu a esfie, porque toca no sentido íntimo de toda a valia da arte.
Considero o verso como uma coisa intermédia, uma passagem da música para a prosa. Como a música, o verso é limitado por leis rítmicas, que, ainda que não sejam as leis rígidas do verso regular, existem todavia como resguardos, coacções, dispositivos automáticos de opressão e castigo. Na prosa falamos livres. Podemos incluir ritmos poéticos, e contudo estar fora deles. Um ritmo ocasional de verso não estorva a prosa; um ritmo ocasional de prosa faz tropeçar o verso.»
Bernardo Soares

18/12/2014

xviii. segredo

O rapaz que falava com um peixe. Peixe esse que era uma carpa. O menino e o peixe ficaram amigos. Depois a família do menino ia passar fome e precisam de comer o peixe. Mas o menino não queria. Então o peixe fugiu. E depois encontrou latas de conserva e levou para o menino e para a família. E depois ficaram amigos para sempre. E o segredo da história era esse. Eu sempre pensei que fosse haver outro segredo porque saber que a carpa falava já eu sabia há muito tempo. Foi a minha maior desilusão com literatura infantil. Hoje percebo que sempre interpretei mal o título. Coisas da vida.


01/09/2014

A culpa é minha

Li finalmente A Culpa é das Estrelas. E a sensação com que fiquei foi que li o livro da mesma maneira que a vida passa por nós: rápido demais. Como se não houvesse outra maneira de o ler senão de um trago só. Não consigo tirar outra conclusão profunda deste livro a não ser que a vida passa por nós a uma velocidade muito superior àquela que nós conseguimos alcançar. 

09/08/2014

ix. veneno

«Para mim, escrever é desprezar-me; mas não posso deixar de escrever. Escrever é como a droga que repugno e tomo, o vício que desprezo e em que vivo. Há venenos necessários, e há-os subtilíssimos, compostos de ingredientes da alma, ervas colhidas nos recantos das ruínas dos sonhos, papoilas negras achadas ao pé das sepulturas [...], folhas longas de árvores obscenas que agitam os ramos nas margens ouvidas dos rios infernais da alma.»

Bernardo Soares

21/07/2014

xxi. soneto

Até agora eu não me conhecia, 
julgava que era Eu e eu não era 
Aquela que em meus versos descrevera 
Tão clara como a fonte e como o dia. 

Mas que eu não era Eu não o sabia 
mesmo que o soubesse, o não dissera... 
Olhos fitos em rútila quimera 
Andava atrás de mim... e não me via! 

Andava a procurar-me - pobre louca!- 
E achei o meu olhar no teu olhar, 
E a minha boca sobre a tua boca! 

E esta ânsia de viver, que nada acalma, 
E a chama da tua alma a esbrasear 
As apagadas cinzas da minha alma!

«Eu» de Florbela Espanca

13/07/2014

xiii. retocar

«Atrás dos primeiros menos-calores do estio findo vieram, nos acasos das tardes, certos coloridos mais brandos do céu amplo, certos retoques de brisa fria que anunciavam o outono. Não era ainda o desverde da folhagem, ou o desprenderem-se das folhas, nem aquela vaga angústia que acompanha a nossa sensação da morte externa, porque o há-de ser também a nossa. Era como um cansaço do esforço existente, um vago sono sobrevindo aos últimos gestos de agir. Ah, são tardes de uma tão magoada indiferença, que, antes que comece nas coisas, começa em nós o outono.»

Bernardo Soares.

20/10/2013

Eu Esperei

Escolho esta música porque é quem me tem saciado a alma. Não que a música seja uma pessoa, mas tem-me feito deprimir e tem-me aumentado o ego. Tem-me impedido de escrever e tem-me mostrado que escrever é tudo o que eu preciso de fazer. Tem-me revelado o lado hipocondríaco e tem-me dado forças para vencê-lo. Tem-me mostrado o meu lado negro e tem-me feito sorrir. Tem-me tirado a fome e tem-me dado força para a recuperar. Tem-me nada. Tem-me matado. A música sou eu e a revolta não vai embora. Eu espero pela resposta, mas ela não vem. «A tristeza é forma de sinal. Liberdade pode ser prisão.» É, a música sou eu e eu faço-me mal. A música faz-me mal e eu quero-a. Quero-a com tudo de mim. Nem que eu não saiba o que é isso de “tudo de mim”. Mas eu sei que «o fumo que não saiu da estrada», eventualmente vai sair. E eu vou ver com clareza tudo. Nem que morra, eu vou renascer. Eu sou o melhor de mim, e sou também quem mais mal me faz. Eu sinto-me adormecida pela vida. Mas eu sei que vou esperar e o dia vai-se fazer melhor. Vai tudo ficar melhor. Nem que eu espere para sempre.