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03/03/2015

iii. romance

És a personagem de romance mais apaixonante de sempre, Chez. Isto digo eu que vivo dentro do mesmo livro que tu e que pouco sei de outros romances. Mas não preciso de conhecer o mundo para te saber o melhor. Conhecer-te bem é ter a certeza de que és inigualável. Conhecer-me bem é não duvidar por um segundo que vamos continuar a existir depois do último ponto final. Ainda que eu nunca tenha lido o livro até ao fim. Ainda que eu talvez nunca o faça.

Da Crezia do mundo. Que é como quem diz da tua Crezia.

18/01/2015

Ainda aqui estou. Não sei bem porquê. Se calhar até sei. Mas não quero saber. Não importa. Nada mais importa. Digo-me estranhamente apaixonada por ti, apenas porque sim, Chez. Eu não faço coisas porque sim. Tu sabes. Seres-me o que me és dói-me. Porque não o sou para ti. Já não me olhas da mesma maneira. A chama apagou-se. E eu encontro-me aqui. Não sei bem onde. Se calhar até sei. Mas não quero saber. Não importa. Nada mais importa. Sei que esperas que diga que só tu importas. Então eu vou dizer: só o que tinhas dentro daquela caixa azul importa. Nunca te vi chorar daquela maneira como quando a perdeste. Nem por mim. O que me leva a crer que até aquela caixa azul tem a sorte de ser mais amada por ti, do que eu. Só ela importa. Amar-te faz-me querer ser o raio da caixa azul, Chez. Amar-te enlouquece-me, Chez. Já não sei o que sou. Se calhar até sei. Mas não quero saber. Não importa. Nada mais importa. Só a caixa azul.

Da Lucrécia, 
que um dia foi Crezia, 
que um dia foi tua, 
que um dia foi feliz.

16/01/2015

Explicando Crezia

Já assinei alguns textos com este nome no fim: Crezia. Mas, afinal, quem é a Crezia? Finalmente decidi-me a explicá-la. A Crezia era originalmente de um outro blog, blog esse que eu comecei e depois abandonei, porque senti que não fazia sentido separar a Crezia de mim, já que entre mim e ela apenas difere o nome e a coragem que ela tem em expressar o meu lado mais negro - que veio mostrar não ser assim tão negro. O porquê do nome é muito simples, veio do livro que eu estava a ler na altura, Lucrécia, personagem do livro A Família de Mario Puzo. Crezia era o nome carinhoso que o seu irmão, César, lhe chamava. Irmão e simultaneamente amante, ou algo do género. Daí eu escrever a Chez - era o nome que ela lhe chamava. Tendo eliminado, claro, a ideia conturbada de ele ser irmão dela. Chez é o fruto proibido da minha Crezia. Não sei atribuir um corpo a Chez. Pode ser várias coisas ou várias pessoas. O resto só se entende lendo a Crezia.

05/11/2014

Seres-me o mundo e arredores equivale a habitares-me intensamente e faz com que estejas para mim assim como o girassol está para o Sol. E vice-versa - também eu sei ser girassol, também tu sabes ser Sol. Percorremos o mundo para nunca perdermos o Sol - para nunca nos perdermos de nós. Nós, o Sol. Nós, eternos girassóis que lutam para que nunca fique noite. Que vivem sempre entre o meio-dia e as três da tarde porque é quando o Sol mais brilha. Porque é quando se encontram de pescoço hirto, sem medo. Porque é quando o amor não se esmorece. Nós, o Sol. Nós, eternos girassóis.

P.S.: Amo-te mesmo que a noite venha.

10/09/2014

08/09/2014

viii. resposta

Mais difícil ainda do que fazer aquela pergunta, foi ouvir a tua resposta. As tuas palavras esfaquearam-me todos os órgãos vitais. E mesmo assim continuei a amar-te, Chez. Como da primeira vez. Mates-me tu as vezes que me matares, o meu amor por ti nunca morrerá. 

Da Lucrécia, que um dia foi a tua Crezia.

22/08/2014

xxii. hábito

Perdoa-me se fiz de ti o meu ópio. Perdoa-me se me habituei a ti e à tua presença, Chez. A verdade é que eu me verei sempre como a tua Crezia. A tua doce Crezia. E tu não. Tu agora vês-me como a Lucrécia. Porque perdi eu a doçura, Chez? Porquê? A minha vontade é a de engolir este veneno que seguro na minha mão. Acabar com isto. O amor possuiu-me, meu amor. E eu amo-te demais, amo-te demais para viver sem ti. Talvez até me mate. Mas antes tinha que dizer que te amo desde o primeiro beijo.

Da sempre tua, Crezia

27/05/2014

Subterfúgio

Sou negra por natureza. Apoderam-se constantemente da minha mente pensamentos obscuros e ideias corrosivas. Mas a minha escuridão é em relação aos outros e não em relação a mim, ou seja, só confio em mim, única e exclusivamente em mim. É do lado negro de mim que chega o egocentrismo que faz com que eu seja a melhor pessoa do meu mundo. E sou-o. Faça isso de mim o que fizer. Não sou conquistada nem conquisto. Não preciso de o ser nem de o fazer, porque quem faz parte de mim, não me conquistou, mereceu-o. Não me rejo pela típica expressão «poucos, mas bons», não. Não são poucos os que me pertencem. Só o facto de me pertencerem já faz deles muitos. Nunca os contei, nunca precisei. Fazem parte de mim, também não ia conseguir contá-los. Talvez não me faça entender. Talvez nada, eu sei que não me faço entender. Mas eu entendo-me, por vezes, ou melhor, muito raramente; e é nesses momentos em que tudo faz sentido. Sei fazer do pouco, muito. Sou negra por dentro, mas não me impeço de ver a cor, não deixo de ter brilho próprio. Sei sempre de mim, ainda que me perca num desencontro. Não tenho medo do pleonasmo nem de causar exaustão a quem me lê. Porque se se cansam a ler-me, cumpri o objetivo. Fiz com que vocês corressem comigo, leram-me e percorreram o mesmo caminho que eu, é normal que se cansem. E não é porque correr cansa que vamos deixar de correr.

Enfrentem sempre o escuro com muito, muito amor,
 Crezia